Durante uma atividade física mais intensa, é comum perceber um aumento nos batimentos cardíacos. No entanto, quando você sente o coração disparar durante os treinos de forma muito acelerada ou desconfortável, isso pode gerar preocupação. Afinal, será que esse sintoma é normal? Ou indica que há algo de errado com o funcionamento do coração? A resposta depende de uma série de fatores, como intensidade do exercício, condição física e histórico de saúde.
O aumento da frequência cardíaca é uma resposta natural do organismo para suprir a necessidade de oxigênio e nutrientes dos músculos em atividade. Isso significa que, até certo ponto, sentir o coração disparar durante os treinos não é algo para se preocupar. No entanto, há situações em que esse sintoma ultrapassa o limite do normal, podendo indicar arritmias, hipertensão ou até mesmo problemas estruturais no coração. Por isso, é essencial compreender quando esse aumento dos batimentos é saudável e quando você precisa procurar um cardiologista.
Coração disparar durante os treinos pode indicar a “síndrome do coração de atleta”
Pessoas que praticam atividade física com frequência, especialmente exercícios de alta intensidade, podem apresentar adaptações cardíacas que são chamadas de “coração de atleta”. Nesse caso, o coração cresce de forma fisiológica e se adapta para bombear o sangue de maneira mais eficiente. Esse tipo de alteração costuma ser benigna, mas pode confundir tanto o paciente quanto profissionais não especializados, principalmente quando há queixas como sentir o coração disparar durante os treinos.
Além disso, atletas ou pessoas muito ativas podem desenvolver bradicardia (frequência cardíaca em repouso abaixo do normal), o que é uma resposta esperada. No entanto, mesmo dentro desse contexto, qualquer alteração na sensação dos batimentos — como taquicardias súbitas, batimentos irregulares ou sensação de que o coração “salta no peito” — não deve ser ignorada. Ter acompanhamento com um cardiologista do esporte é indispensável para diferenciar o que é uma adaptação saudável e o que exige investigação.
Em alguns casos, o coração disparar durante os treinos pode indicar outras condições que não envolvem o sistema cardiovascular diretamente. Por exemplo, ansiedade, desidratação, uso de substâncias estimulantes (como cafeína ou pré-treinos), distúrbios hormonais e até problemas na tireoide podem provocar essa sensação. Por isso, o diagnóstico correto depende de uma avaliação cuidadosa e individual.
O que fazer se isso ocorrer com frequência?
Se você sente que o coração dispara com frequência durante os treinos, mesmo em atividades que antes pareciam mais leves, busque uma avaliação médica. O cardiologista pode solicitar exames como eletrocardiograma, ecocardiograma ou teste ergométrico para entender melhor o funcionamento do seu sistema cardiovascular. Quanto mais cedo se fizerem essas avaliações, maior a chance de prevenir complicações e adaptar os treinos com segurança.
Entre os sinais que indicam que o sintoma merece maior atenção, destacam-se:
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Sensação de desmaio ou tontura durante o exercício;
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Dor no peito, mesmo que leve;
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Palpitações que surgem em repouso;
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Histórico familiar de morte súbita;
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Pressão arterial alta sem causa aparente.
Esses sintomas, associados ao coração disparar durante os treinos, não devem ser negligenciados. Muitas vezes, o corpo dá sinais de que algo não vai bem, e identificar precocemente essas alterações é essencial para manter a saúde em dia. Vale lembrar que praticar exercícios é uma atitude positiva para o coração, mas deve-se fazê-la com acompanhamento adequado, especialmente para quem deseja intensificar os treinos ou participar de provas de longa duração.
Por fim, não existe um padrão único para definir o que é normal quando o assunto é a frequência cardíaca durante o esforço físico. Cada pessoa tem um limite, que pode variar de acordo com a idade, nível de condicionamento, alimentação, hidratação e genética. Portanto, ouvir o corpo, respeitar os limites e contar com o suporte de um especialista são atitudes indispensáveis para garantir segurança e bem-estar. Se ficou com alguma dúvida, consulte o seu cardiologista de confiança.





